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manoel de barros mini-(quase-nada)-conversa-fiada-ensaio
Desavisos que é preciso dessaber:
Confraria: Todos perguntam ao senhor: “qual é a matéria de sua poesia?”. Nós perguntamos: o que é matéria de poesia?
Manoel: Pra meu gosto
matéria de poesia é a palavra Poesia, pra mim é armação de palavras com um
canto dentro. O canto é que comanda o verso até chegar a um encantamento.
O canto pode ter até ritmo de samba ou forró.
Manoel: Você sabe que o
sublime é teimoso e bem guardado pelos aristocratas. Carlitos desmoralizou
o sublime com a sua bengalinha de vagabundo e a sua cartola. A cartola e a
bengalinha de Carlitos foram cagos geniais sobre o sublime dos
aristocratas. O meu cago foi modesto e nem mil que eu desse no sublime
valeriam como a bengala de Carlitos.
Manoel: Acho que a
poesia não causa nada porque a poesia é nada. E se o Nada desaparecer a
poesia acaba.
Manoel: Acho que poesia
é uma outra realidade. Ela é produto das visões de um poeta. E as visões
trazem por dentro nossas loucuras, nossas fantasias e coisinhas à toa, sem
procedência.
Manoel: Poesia virtual há de ser como a transa virtual. No meu tempo de menino transa virtual a gente chamava de matar bentevi a soco. Na internet não sei como chamam a poesia virtual.
MANOEL DE BARROS é advogado, fazendeiro e poeta. Universalizador do Pantanal, mutilador da realidade, apregoador de urinóis enferrujados, um dos maiores vendedores de poesia do Brasil, seja lá o que isso queira dizer, dispensa maiores apresentações. Esta conversa de bêbados foi travada numa manhã de domingo, na feira, entre a missa e o almoço.
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confraria do vento |
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