Este
último número do ano de 2007 da Confraria vem celebrar o lançamento da
edição impressa. No prédio da Oi Futuro, reuniram-se poetas e prosadores,
ensaístas e músicos, artistas plásticos e artistas mágicos, fotógrafos e polígrafos, povo de outras plagas e os do Rio de Janeiro. A festa saiu às
ruas, depois da cobertura do prédio da 2 de dezembro, no Flamengo.
Cavalgou as calçadas, voou com as harpias do Catete, sob os auspícios do
Bruxo do Cosme Velho.
Agora, na dobra da esquina para 2008, gostaríamos de olhar para trás e
agradecer aos nossos gentis colaboradores. Entretanto, devemos anunciar os
que nos visitam aqui, agora. C. D. Wright fala-nos do luxo que é ser
gentil, num mundo onde a gentileza é escassa, rarefeita, ave em extinção,
enquanto Forrest Gander oferece-nos uma ligadura possível, eye against eye,
mãos dadas, ombro a ombro. É assim que se constrói o mundo novo. Ou se
escreve a antilira do rio, com a poesia do cabo-verdeano José Luis Tavares.
O filósofo americano Stanley Cavell introduz seu pensamento inovador e
Gustavo Bernardo e Claudio Daniel buscam um edifício mais sólido para a teoria, sem se
perderem no traço da argamassa. Para eles, a teoria não é a mendiga de perna
amputada, cantada por Renato Rezende. A encruzilhada da vida, o pântano do
capital globalizado, as armadilhas do Charada, tudo isso perde força
diante da obra de arte. Diante dela, as teorias dão em água, fogem por
entre o milharal.
A verdade reside em algum lugar incerto e não sabido, nunca em algum
entre-lugar, tampouco no vazio que são esses conceitos. E depois do
encontro internacional de poetas, lá em Coimbra, Jonathan Morley conheceu
mais um espaço, mesmo que virtual, e vem à nossa confraria com um verso
cortante, depois de haver descoberto o solo d’África, terra de Moçambique.
É com esses operários que nosso edifício sobe ao derradeiro andar deste
ano da graça de dois mil e sete. Caríssimos, acreditem, nosso coração tem
catedrais imensas! Evoé!
Os editores