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editorial
Os dias
e noites do editor inglês Jonathan Morley no Rio de Janeiro, em setembro
de 2008, não foram nem fáceis, nem tranqüilos, nem difíceis, nem
conturbados, foram a trilha sonora desse número: épica, lírica, dramática:
epi-dramo-etilírica. Câmbio cambaleante foi o resultado: escutem a caixa
de música chinesa, um frango xadrez, como diria Ortega y Gasset, abrindo o
nosso bloco de ensaios.
Tavinho Paes tem algo a nos dizer (muitos crescemos ouvindo seus assombros
tanto políticos quanto lítero-musicais), enquanto Clóvis Bulcão, educador
primevo, exercita seu ceticismo diante do quadro nada verde de nossa
prática pedagógica (ou seria tática paregórica?). Certo é que adentramos o
ano, na cola esticada do carnaval e, se Momo não nos deu guarida, aliviou
os nossos olhos, não sem antes nos arrebatar o cérebro de sua zona de
conforto.
Fomos opiados por Marcus Motta e aceitamos as blasfêmias consonantais de
Jorge Melícias, o poeta em bom português. E em português nos chagaram, do
verbo chagar, os poemas de Miguel Piñero, morto há vinte anos, sonhando
sempre em ser poeta. Na verdade, entramos 2009 observando o mundo em
crise: crise bélica e anti-estética, crise filosófica e antiofídica, crise
ortográfica dos países de língua portuguesa (estamos nos atualizando).
Paloma Vidal, Ronaldo Ferrito e Victor Paes insistem em seus trabalhos
progressivos, embora lacunares, pois a construção da revista exige
espelhos contra medusas. Advertimos aos que aqui encontrarem traços de uma
edição temática beatnik (vejam Jack Kerouac, Piñero e uma quase
arqueologia da maconha nos contos de Dinho) a não radicalizarem na
interpretação: é que os tempos são de treva e fumaça (diria um poeta: de
breu e fumo!), as experiências, reais (vejam Federico Lavezzo) e a
realidade, literalizável, como a de Antônio Dutra. Rejeitamos a
interpretação como forma de dar as boas-vindas à nova colunista Sônia
Rodrigues.
Por fim, os portugueses continuam presentes circunavegando o nosso globo:
além de Melícias, Luís Serguilha. Aliás lá para as terras portuguesas está
o poeta Márcio-André, escrevendo na calada da noite, um fado para sua
poética das casas. Sem nos esquecermos dos ensaios profundos de Solange
Rebuzzi e Aldo Dinucci, pedimos aos leitores um pouco de paciência e
generosidade, visto que a estrada é longa, o tempo é curto, o ouro é
escasso, a dor é tamanha, a poesia é rombuda, a porta é estreita e
perdemos a chave. Entrem!
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