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márcio-andré


o corpo da cidade

 

 

 

Chegamos finalmente à ultima etapa de nosso cosmo – para além desta, somente o aveludado abismo de escuridão do Universo. Obviamente, essa nossa última parada não poderia ser outra que a cidade, o macrocorpo de todos os corpos no planisfério das casas. Tratar da cidade, entretanto, representa um desafio à parte. Dela, e de seus habitantes, já se falou por demais, se cunhou conceitos, se determinou comportamentos, se planejou destinos, se disse tudo sobre todos os cantos e problemas que apresenta, de tal forma que nos perguntamos o que mais seria preciso dizer a respeito. Não conheço um teórico moderno que nunca, em sua obra, tenha deixado de dedicar que seja uma linha à questão. A cidade é uma imagem tão fértil e fundamental para a modernidade que é impossível não recorrermos a ela para nos pensar. Sendo assim, discuti-la estaria, desde já, além de minha capacidade, e eu estaria igualmente fracassado em minha proposta, se não seguisse a cidade por um viés outro. A concepção de cidade que ensaio não tem o interesse em ser original, nem quer fechá-la em um conceito, como também a ela pouco interessa criar parâmetros de discussão, esmerar formas de a pensar como modelo futuro ou passado. Também pouco importa discuti-la segundo alguma definição ou mesmo redefini-la. Nosso único interesse é percorrê-la em sua singularidade celeste, em sua geo-desideria. Para isso, parto de dentro e não de fora – de dentro da cidade e de dentro de quem a caminha.

Tal concepção de cidade parte de quem anda pelas ruas e não de quem a estuda e que, para isso, precisa afastar-se dela. A cidade, como cidade de cada um, não pode ser um objeto e, tampouco, como poderíamos supor, se presta a uma relação subjetiva com seus caminhantes – a cidade está tanto dentro como fora, órgão externo que ela é. A cidade é sempre a mesma, apesar de nunca ser a mesma, se apresenta diferente para cada um, apesar de conter as mesmas ruas e os mesmos habitantes. Para uma poética que parte das casas, não importa os burgos de onde a cidade veio ou a Alphaville para onde ela vai – a cidade começa e termina agora – a cidade não pode ser um aglomerado de gente, nem ondas comportamentais ou índices demográficos. Assim, não se pode chegar a um conceito do que seja a cidade. Da mesma forma, também não podemos entrevê-la pelo conceito falsamente liberto das impressões do sujeito. Só nos construímos como cidade, à medida que nos perdemos na singularidade do outro, na excentricidade das ruas que estavam lá antes de nós, nas camadas de lembranças deixadas pelos velhos que envelheceram antes. As supostas impressões que se tem de um lugar nada mais são que emanações da própria cidade diferentemente sonhada por cada um de nós. A cidade recusa ser um elogio à individualidade. A cidade só pode ser uma frase de casas, um poema de ruas, uma antologia de bairros, pontuada por velhos coretos – sem autores, sem assinatura.

Talvez tudo isso seja muito difícil para um teórico aceitar. Apegado aos conceitos, amante das teorias, defensor dos sistemas, ele se perde aqui em tamanha falta de sistematização. Mas para o habitante que vive a cidade intensamente – e para isso é preciso que este habitante seja um poeta de casas – é tão simples compreender quanto respirar dióxido de carbono. Nenhuma singularidade ou diferença é teorizável e, por isso, não se pode propor uma teoria que parta de dentro. Estar dentro é, desde já, desmerecer o objeto. E para aquele que a vive, não existe separação entre homem e cidade – cada homem é a própria cidade. A cidade vive nele como as artérias do seu corpo – a cidade, marcapasso do espaço preenchido pelo outro. Nossos passos pensados, articulados numa impecável e delicada mecânica do não esbarrar. E se a cidade está dentro de nós, marcada em nosso equilíbrio de caminhantes não há como fugirmos dela. Ela nos segue onde quer que estejamos.

Antes de qualquer coisa, a cidade é uma imagem poderosa. Toda imagem é nova, seja no tempo, nas possibilidades geradoras, mesmo estando na origem do homem e questionando sempre as mesmas questões. Don Quixote, imagem violenta que é, sempre existiu, mesmo antes de ser escrito, mesmo antes de existir Cervantes, mesmo antes de existir a escrita. Ele estava lá, no sonho do primeiro sonhador, impelindo-nos para diante, contra os moinhos de vento, contra as agruras de nossas mesquinharias mundanas e de nossa necessidade de subsistência. Só assim, ele pôde ser concretizado um dia, enquanto obra literária. E assim é a cidade, a maior de todas as imagens, a maior de todas as obras literárias, um sonho que se sonha por dentro. Nossos passos por esta ou por aquela rua, por este ou por aquele bairro, já estavam programados nos pés de nosso mais antigo ancestral. Ele sonhava em edificar edifícios, em construir ruas, em habitar casas desde o instante em que olhou para aquela pedra em sua mão e, num lampejo, o mundo tornou-se redondo.

Mas esse potencial de possibilidades gerado por essa imagem maior que é a cidade, multiplicado em outras bilhões de possibilidades, converge para apenas duas imagens fundamentais no corpo de duas qualidades de habitante: aquele que fica e aquele que parte. Foram esses que a fundaram. Numa relação pouco ortodoxa com Benjamin e seu ensaio sobre o narrador, ressurgem as figuras do marujo e a do artífice, como mestres da arte de narrar. Estes são então aquelas duas figuras fundamentais que narram a cidade em seu sonho, não como psicólogos da existência, ou cretinos especuladores da condição humana, mas como aqueles que, com o sopro leve da vida que se vive em plena poesia, escolhiam estar aqui ou lá, e desejavam, sem saber porque, sair ou ficar. E assim foram se fundando as vias e as casas, esta para os que ficam e aquelas para os que partem. A cidade de hoje ainda sonha e é sonhada por esses dois seres, ainda que conceitos como nação e trabalho nos empurrem sempre forçosamente para a primeira opção, criando seres deslocados pela permanência. Ser sonhador de casas é se abrir para a sua verdadeira vocação. Como há praças, ruas, bairros que nos forçam a ficar, também há cidades que só parecem próximas quando estamos há milhares de quilômetros de distância, que só são claras quando distantes – e é preciso então afastar-se. Manaus me parece, tanto tempo depois de tê-la visitado, uma cidade muito próxima, onde poderia chegar com apenas um ônibus. Só percebemos que as cidades visitadas não estão realmente ao lado quando temos a necessidade real de ir até lá.

Encontramos essas duas figuras nas estrofes do poema A Cidade, de Konstantino Kavafis, onde, na primeira, ele fala do desejo de partida:

Dizes: “Eu vou para outras terras, eu vou para outro mar.
Hão de existir outras cidades melhores que esta.
De todo o esforço feito – estava escrito – nada resta
e sepultado qual um morto eu tenho o coração.
Até quando minha alma vai ficar nesta inação?
Onde quer que eu olhe, para onde quer que eu volte a vista,
a negra ruína de minha vida é o que se avista,
eu que anos a fio cuidei de a estragar e dissipar”.


E então, responde na segunda estrofe, com um desejo de permanência:

Não acharás novas terras, tampouco novo mar.
A cidade há de seguir-te. As ruas por onde andares
serão as mesmas. Os mesmos os bairros, os andares
das casas onde irão encanecer os teus cabelos.
A esta cidade sempre chegarás. Os teus anhelos
são vãos, de para outra encontrar um barco ou um caminho.
A vida, pois, que dissipaste aqui, neste cantinho
do mundo, no mundo inteiro é que a foste dissipar.


Mas tanto o desejo de partida, resultado de um enfado da permanência, quanto o desejo de permanência, resultado de uma agonia da partida, são o mesmo: ambos narram a cidade. Já havíamos, no ensaio sobre as ruas, falado desse desejo que se manifesta duplamente em cada habitante de casas. Ficar e partir como facetas do mesmo processo que é o habitar. Ficar e partir é o que nos move enquanto aqueles que precisam compreender as casas, ainda que nunca cheguemos distante o suficiente e nunca estejamos suficientemente dentro delas. E é esta a lição do nosso poema-cidade ou de nossa narrativa-cidade. Em uma de suas Cidades Invisíveis, Calvino chega a uma cidade exatamente igual, ponto por ponto, àquela da qual havia partido; as mesmas ruas, os mesmos hotéis, os mesmos subúrbios, os mesmos habitantes e os mesmos diálogos. Pode-se partir quando se quiser — dizem-lhe — mas sempre se chegará a uma outra cidade igual – o mundo é recoberto por uma mesma cidade que não tem começo nem fim, só muda o nome no aeroporto. Todas as cidades são a mesma cidade, o que muda é somente a ordenação das casas.

Não há para onde fugir. Partir não necessariamente quer dizer ir embora. Se a vocação das casas consiste em que sejamos sempre viajantes de nós mesmos, que corramos para se chegar onde se está, sempre seremos a cidade, e assim, sempre a levaremos onde quer que estejamos, viagem real ou fictícia. Uma cidade dentro de outra nada mais é que uma cidade humana se adequando ao desenho de novas ruas. Mais que mera localização geográfica, a cidade é o destino encruado em nossos chacras, seus limites são os limites de nosso corpo. Proust vive intensamente a materialidade do destino, e em algum momento nos fala como ele se concreta em nossos desejos:

A mulher cuja figura se apresenta mais constante diante de nós que a própria luz (...), esta mulher única, sabemos bem, teria sido outra para nós, se tivéssemos estado numa outra cidade que não aquela onde a encontramos, se tivéssemos ido passear em outros bairros, se freqüentássemos um outro salão. Única, ela é inumerável.

Assim como essa imagem da mulher única que, guardada dentro de nós, pode mascarar-se de tantas mulheres, a cidade que está em nós se ajusta a qualquer cidade onde escolhamos viver. Mudar de cidade é mudar de céu e mudar de céu é o mesmo que mudar de destino. Mas note que o céu é sempre o mesmo em qualquer parte, apesar de ser outro. Ajusta-se a rota pelos instrumentos de navegação, desloca-se o mastro em relação à angulação das estrelas, mas a cidade, não importa onde estejamos, nós a levamos conosco. E assim, qualquer cidade será sempre a nossa cidade e, justamente por isso, nenhuma cidade será, de fato, nossa cidade. A cidade única, como a mulher única de Proust, está dentro de nós e se adequa a outras ruas e outros cruzamentos. Mudar de destino não é, como se pensa, mudar de trajetória, mas refazê-la segundo novas imagens. Todos já imaginaram como seriam suas vidas se fossem outra pessoa ou se tivessem tido outra história, se tivessem amado outra mulher ou vivido em outra casa, se tivessem cursado outra faculdade, se tivessem aceitado outro emprego e conhecido outros amigos. Já se perguntaram por que se é um e não outro, por que se é homem e não mulher, por que se é assim e não assado. Eis o nosso livre arbítrio limitado, determinado por nossa natureza, pela imposição de sermos quem somos, no qual a única liberdade permitida é a de pensarmos a respeito. E, ao contrário, também todos já se perguntaram como se pode viver diferentes vidas na mesma cidade. As lembranças das vidas que não tivemos, das épocas em que não éramos nascidos, das casas que não são as nossas. A memória de todas as ruas percorridas num piscar de olhos. Essa prisão em nós mesmos, questão que a cidade evoca em nossa miséria humana de não ser o outro, é o que nos faz querer partir ou ficar. E, justamente, por isso é que somos, como habitante de uma cidade, pequena ou grande, topônimos de nós mesmos, localizando a cidade dentro e fora de nós. Talvez a palavra “inação”, usada na tradução do poema de Kavafis seja a melhor para designar o estado de uma cidade. Não como in-ação (sem ação), mas como i-nação, um lugar que não é abrigo, um lugar que não tem lugar, um lugar que se conforma com nossos passos. É nesta inação que nossa alma aguarda por tempo indeterminado.

A cidade é onde toda diferença se encontra, seus bairros se tocando pela vista das janelas. Corpo de cimento e lata, a cidade recusa ter um centro. Nenhum lugar da cidade é menos ou mais cidade. Seu corpo é o nosso corpo e incorpora onde estejamos. Assim, a cidade se expande para as margens, nasce a cada instante nas beiradas, sonha para fora, para outra cidade, sonha em fugir de si mesma. As máquinas e as casas se reproduzem em silêncio durante a noite, os homem se multiplicam sem saber como. As cidades só encontram sua potencialidade profunda na tristeza de sua decadência, onde menos e menos se quer ser cidade. A cidade fala na mente de cada citadino quando ele não está pensando. A cidade o sonha quando ele não está sonhando. O néon dos letreiros é sustentado pelo sono dos velhos e cada espelho das casas, no escuro, com fragmentos de reflexos diurnos, multiplica a cidade no pesadelo dos habitantes. O sonho é a parte mais real das cidades, é o que faz ligação entre os elementos urbanos, entre as diversas camadas de metrô. Todo fragmento de bairro, de rua, de casa, está ali porque alguém o sonhou — a cidade é o que cada um a sonha a partir de seu quintal. E sonhar nada mais é que pôr em prática a cidade que não vemos durante o dia. Não é de hoje que a cidade se evidencia enquanto sonho. Tantas e tantas vezes essa relação foi exposta, em filmes como Mulholland Drive, Dark City, Metropolis, Asas do Desejo, Alphaville, ou como no relato de William Burroughs sobre sua experiência com o yage, no qual descreve uma cidade de mendigos infecciosos que vivem num labirinto de tocas subterrâneas e surgem de seus abrigos se arrastando pelo chão dos bares lotados.

A infância de cada um, instante de mundo poético, sonha a cidade onde viveremos quando adultos. O bairro de toda criança distribui ruas para uma cidade sonhada. Como há bairros surgidos dos sonhos, e cito Paquetá, ilha-balneário decadente com seus pedalinhos fantasmas, há cidades inteiras de matéria onírica. Talvez Cococi (fundada em 1957 e extinta em 1970) e Pripyat (fundada em 1970 e extinta em 1986) sejam os exemplos mais conhecidos desse pesadelo da polis. Duas cidades fantasmas, as duas com datas de nascença e morte, as duas com duração menor que vinte anos, uma no sertão dos Inhamuns, outra no sertão radiativo da Ucrânia. Apesar de milhares de quilômetros de distância, são ambas museus vivos para testemunhas solitárias, aqueles dois ou três que insistem em viver em seus escombros. Cococi, com suas ruínas de cidadezinha, é um lugar onde até o tempo envelheceu. E aqui ela se distancia de Pripyat.

Se Cococi já nasceu rudimentar e com isso sufocou-se, Pripyat foi a primeira cidade a chegar ao termo de si mesma. A cidade moderna, como símbolo do desenvolvimento humano e tecnológico, levou Pripyat à potencialização extrema de sua vocação. Esta não era somente uma cidade modelo, racionalmente planejada, era, além de tudo uma cidade construída com o único propósito de abrigar os trabalhadores da usina de Chernobyl. A usina, marco da trajetória da técnica, ao explodir, levou a cidade não a sua extinção, mas a seu limite, limite humano-tecnológico. Uma cidade pela primeira vez tornava-se una com o homem. A radiação, entranhando-se no gene humano, foi a vontade quase cronenbergueana de se fundir cidade e citadino — a cidade então na essência de cada habitante, criando seres-cidade —, concreção real de um desejo que nos acompanha desde A República. Aqui não há vantagens ou desvantagens, há a criação híbrida de uma nova raça, absurda e hedionda, gerada nas entranhas das casas, fecundada pelo exagero do avanço industrial.

Mas apesar de Pripyat, as cidades continuam crescendo indefinidamente, com o medo da própria implosão. As cidades pequenas vão se tornando grandes, e as grandes, maiores ainda, sem nunca se tocarem umas nas outras. E nunca serão cidades reais, mas cidades sonhadas e guardadas dentro de nós. O Rio de Janeiro, por exemplo, é o sonho de uma cidade que nunca existiu, um balneário poluído em nome do progresso que nunca chega. As cidades pequenas já não se cabem. Toda cidade pequena e pobre é igual. Um arremedo miniatura e triste das grandes cidades, com prédios abandonados e montanhas ao fundo. Depois da montanha um mundo esquecido entre a mata densa. Uma possibilidade outra de qualquer cidade, atrasada pelo menos cinqüenta anos no tempo. As placas fixadas por algum deus morto. No centro, a rosácea radial das ruas forma uma mandala para astronautas.

O destino da cidade é o nosso destino. E não podemos fugir ao nosso destino como não podemos fugir de nosso corpo. Não é o homem que faz a cidade. O fato de sermos citadinos é que compõe nossa humanidade. Mas é sempre preciso lembrar que para respirar o corpo real de qualquer cidade é preciso ser sonhador de casas. Ser sonhador de casas é ser poeta, é conseguir entender a relação entre casa e céu, saber da correspondência entre a cidade e as estrelas. Falar de poesia parece algo um tanto antiquado quando falamos de cidade, mas não podemos esquecer que ambos são matérias ocultas de nosso desejo de humanidade. Um se escora no outro, e ambos se ocultam sob a película do ordinário. Não foi a poesia que se afastou da realidade, mas a realidade (econômica e socialmente interpretada) é que se afastou da poesia. As casas, as ruas, as cidades sempre serão imagens fundadoras e poéticas, não importa o quanto se tome por realidade as realidades instantâneas. Da mesma forma que não é preciso mudar a escrita dos poetas, mas compreender o verdadeiro sentido das palavras por eles usadas, é que precisamos mudar o olhar sobre as cidades e enxergá-las em seu sentido profundo. “É preciso que as palavras encontrem novos sentidos e os sentidos novas palavras”, é dito em Alphaville — só assim é possível que a poesia esteja em conformidade com a realidade, de tal maneira que possamos viver a poesia da cidade. A cidade, enquanto o corpo de nossos sonhos é o nosso tumor diário e, como a poesia, está em todo canto, sob nossos pés, sob as casas, sob os postes, sob as placas, sob os muros, sob a rotina massacrante, sob o engarrafamento, se ocultando dia após dia sob o sol, prestes a incorporar no primeiro passante.
 

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MÁRCIO-ANDRÉ
é poeta, músico, editor e design, autor dos livros Movimento Perpétuo e Chialteras e coordenador do projeto Arranjos para Assobio, de texturas poéticas e realidades experimentais (http://arranjos.confrariadovento.com). Trabalha na tradução de poesia de Arnold Flemming, Serge Pey, Ghérasim Luca e Bernard Heidsieck e edita a revista literária Confraria. Em abril lança seu novo livro Intradoxos. Sua página é www.marcioandre.com

 


 

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