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Intradoxos é uma poesia profundamente inovadora. Parte de um profundo
conhecimento da tradição/ortodoxia para se poder confrontar consigo mesma
com uma inocência inaugural própria de quem só chegou agora (tarde?) e
apenas sabe que está suficientemente dentro de si para poder iniciar a
caminhada. É um começo que não termina, e só começa quando se esquece de
que é um anacíclico ovo. Afinal, só o poeta tem o privilégio de circundar
o vazio de dentro para fora.
A poesia constrói-se dizendo o nada dos seus objectos, já que os objectos
são indivisíveis. O próprio poeta desaparece no que se torna um outro de
si: je est un autre (Rimbaud). Mas Márcio-André não se conforma em
desaparecer sem obrigar o objecto a expor-se, uma exposição que é sempre
uma explosão. É, pois, uma voz nova que vive intensamente a violência da
cultura, desde o gregos até aos nossos dias, sempre na esperança de nada
ser irreversível por nunca ter começado. Ou ser eterno, o que é próprio da
poesia. Por isso o funeral é um hino à imortalidade.
A poesia de Márcio-André é uma luta permanente com a língua. O seu
experimentalismo não é abstracto (ou seja, concretista), é antes a sua
maneira de interpelar uma tradição asfixiante e ao mesmo tempo vazia. A
língua é também as formas da tradição. O poeta des-inventa-as, parodia-as,
mas sabe que elas o formam, tanto quanto o sonho nos sonha a nós. A partir
de a Máchina de dimensões, o poeta atinge a plenitude da sua criação, isto
é, define o lugar da sua sabedoria de poeta: serena e aforismática no meio
das ruínas da língua e dos grafismos. A poesia como um day after redentor.
Este poeta explode dentro de nós com uma doçura indescritível. A sua
poesia é uma das mais notáveis da sua geração.
Boaventura de Sousa Santos
Depoimentos
De uma originalidade e inventividade luminosas, Intradoxos é a prova de
que a poesia brasileira continua a dar sinais de uma surpreendente
vitalidade.Ana Cristina César se foi, mas não estamos sós. Márcio-André é
uma das vozes mais brilhantes de uma nova jovem geração de artistas
brasileiros.
Walter Salles
Não
sabia que Márcio-André era um poeta da grandeza que mostra no seu livro.
Nei Lopes
Notei que eu não tinha uma experiência sensorial desse tipo há pelo menos
vinte anos. Intradoxos me convidou para a desautomatização dos cinco
sentidos.
Nelson
de Oliveira
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resenha sobre este livro publicada no Jornal O Globo
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